Rapper Reencontra Mãe 30 Anos Depois

Milton Adalberto da Silva ainda era um menino de 5 ou 6 anos quando viu pela última vez a mulher que aprendeu a chamar de mãe. Quando a reencontrou há duas semanas em Mongaguá, no Litoral Sul, já homem feito e conhecido como rapper Breakdown, foi como aquele garoto que chorou. A procura, enfim, havia terminado graças a uma pessoa que viu o anúncio dele em um site de busca por desaparecidos e indicou o paradeiro de Marly Lima Silva, de 57 anos.

"Foi um milagre de Deus", diz Breakdown, hoje com 35 anos. Como o DIÁRIO mostrou ontem, 9 mil crianças e jovens somem por ano em São Paulo e o Cadastro Nacional de Desaparecidos, criado há mais de um ano, ainda não funciona. Para que outros reencontros sejam facilitados e não dependam apenas da fé, tramita na Assembleia Legislativa um projeto de lei que cria um cadastro único para desaparecidos no estado. Só isto poderá diminuir o tempo de procura, amenizar o sofrimento de famílias e, sobretudo, proteger crianças de um destino como o de Milton.

A história

No início da década de 1980, Marly tomava conta de crianças em Cidade Ademar, na Zona Sul da capital. Foi quando uma mulher, identificada como Maria, teria pedido para que tomasse conta do filho e nunca mais voltou. Um ano e meio depois, Marly entregou o garoto à Justiça. Esta é a versão registrada no prontuário de Breakdown na antiga Febem, atual Fundação Casa.

Da Febem, o menino foi levado para um orfanato no interior. Aos 16 anos, voltou à Febem por mau comportamento. Ao sair, foi para as ruas. "Virei mendigo para não ser bandido." Mais tarde, com ajuda de um voluntário do orfanato em que vivia, conseguiu um quarto para morar em Ourinhos, a 380 quilômetros da capital. Casou-se e teve dois filhos: Micael, de 11 anos, e Noemi, de 10.

Para entender a própria história, Milton voltou à capital. Trabalhou como servente de pedreiro, garoto-propaganda de lojas populares e escrevia música. Hoje, também faz shows em eventos gospel. Mas a vida, ainda que tivesse ganhado um rumo, sem um começo não fazia sentido.

Juntou as informações que tinha da ex-Febem às primeiras memórias para ir atrás de Marly. "Da minha mãe verdadeira, eu lembro que tinha cabelo de índio. Mas era da Marly que eu me lembrava do carinho de mãe", diz. Aliás, havia sido para Marly que Breakdown fez o rap "Já é de Madrugada", em que conta a sua vida e procura.

Mãe procurou por filho em fórum e nas delegacias
Com as pistas que recebeu por e-mail, Milton conseguiu chegar à filha de Marly, Jaciara Cândido, de 38 anos. "Eu me lembrava dela. Era a Jaci", conta. Com ela, confirmou o nome, a data e o local de nascimento de Marly. E soube o outro lado da história.

Marly contou que, quando procurou a Justiça, queria adotá-lo. Mas não pôde porque tinha perdido os documentos em uma enchente. Só lhe restava a carteira de trabalho. "Depois que arrumei, voltei para buscá-lo, mas não o encontrei. Fui às delegacias. Não era meu filho da barriga, mas o amor era igual. Minha vida acabou", diz. Os laços de mãe e filho jamais serão confirmados por um exame de DNA, mas o abraço que se deram no reencontro não deixou dúvidas. "Foi lindo, emocionante. Não tem palavras para descrever. É um coração que bate dentro de outro", diz Marly.


Por: Milton em: 15/11/2011

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